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Destaques / LifeStyle / 15/07/2020

Mineira Nila Kaiowa é convidada da Gal Arte e Pesquisa para o #GALTAKEOVER, projeto que expõe o trabalho de mais de 25 artistas nacionais e internacionais no instagram da galeria

O projeto expõe o trabalho de mais de 25 artistas nacionais e internacionais no Instagram da galeria.

Com o início do isolamento social provocado pela pandemia de Covid-19, a classe artística no Brasil e no mundo se viu, de repente, diante de um desafio. Como mostrar seu trabalho, que antes era feito através de apresentações e exposições, de modo democrático e que fosse pertinente não só para quem já o acompanha como também para novas audiências?

Foi aí que surgiu a idéia do #GALTAKEOVER no @gal.art.br . Em um momento em que o instagram passou a ser uma dos maiores canais e ferramentas de comunicação interpessoal na web, com conversas, cursos, palestras, performances, shows etc através de “lives” ou transmissões ao vivo, criar e compartilhar um conteúdo voltado para as artes visuais, que ao mesmo tempo conecta artistas, colecionadores, estudantes e seguidores.

“O Takeover é o termo usado para quando uma outra pessoa, neste caso um artista, assume o conteúdo das postagens de outro instagram. A ideia foi convidar tanto artistas que já fazem parte do casting da GAL como também aqueles que acompanho seu trabalho há algum tempo e tem uma pesquisa consistente a ser compartilhada. Assim, a GAL ajuda a ampliar e dar protagonismo aos artistas visuais vivos, que estão pensando questões atuais, aproximando assim os seguidores de sua produção”, disse Laura Barbi, fundadora e curadora da GAL.

Desde o lançamento do projeto artistas como Alisson Damasceno, Marina Tasca, Aruan Mattos & Flavia Regaldo, Carolina Botura, Eduardo Recife, Ricardo Burgarelli e Julia Baumfeld compartilharam por um período de uma semana suas inspirações, processos criativos, colaborações e trabalhos, produzidos em diversas mídias no instagram da GAL.

Para Alisson Damasceno, primeiro artista a assumir as postagens no #GALtakeover e apresentar trabalhos desenvolvidos entre os anos de 2017 e 2020 “a apresentação dos trabalhos seguindo uma ordem cronológica parece dar uma maior dimensão da pesquisa dos artistas que participam do #GALTakeover. Ao mesmo tempo em que o público que acompanha o takeover adquire uma perspectiva ampla dos processos de desenvolvimento do trabalho dos artistas, uma janela se abre, permitindo que cada artista apresente um porvir… Algo que parte de suas pesquisas pessoais e que se inscreve no atual cenário mundial como um traço das mudanças que vivemos na atualidade. O período de confinamento tem sido muito intenso, pois esse tempo dilatado tem me permitido um olhar mais para interior, sendo possível projetar essa experiência no meu trabalho. O corpo, por muitas vezes, é negligenciado em decorrência das atividades diárias” destaca Alisson que apresentou sua pesquisa e trabalho relacionado à arte e educação. “A normalização dessa negligência pode ser observada no sistema de educação, por exemplo, onde os corpos são colocados em situação de repouso durante horas por dias, durante anos; Um tipo de confinamento subjacente presente nos modelos de educação.

O confinamento tem mostrado que é necessário que ativemos o corpo com consciência da importância de uma educação corporal. Muito se fala sobre uma possível “volta à normalidade”, mas essa expressão traz consigo uma questão: que normalidade é essa? A normalidade da negligência do corpo? No sentido oposto a esse modelo de sociedade que negligencia o corpo, temos o movimento e a consciência de movimento. O confinamento tem me mostrado possibilidades do fazer poético a partir do meu corpo com as minhas potencialidades e limitações. No Takeover, busquei dar indícios deste porvir sendo, portanto, a experiência da apresentação da trajetória de trabalho, um caminho que parece manter ativa a conexão entre a obra dos artistas da Gal e a nossa realidade contemporânea”.

“A experiência do takeover foi super interessante no sentido de ter proporcionado olhar e refletir sobre os trabalhos a partir de um novo posicionamento, como uma atualização da vista. Digo que o futuro muda o passado, é isto se dá na medida em que sempre somos outro a entrar no rio e a água sempre virá uma outra água acumulando conhecimentos. Passamos por experiências , aprendemos e expandimos nosso ser, então podemos ter acesso a novos pontos de ligação na trama da obra como um todo, pontos que antes ainda estavam encobertos. Os trabalhos muitas vezes estão na nossa frente, pois trazemos visões e percepções oriundas do inconsciente individual e coletivo, uma existência advinda de um estado anterior muito avançado, então, precisamos de tempo até que possamos alcançá-los. O takeover foi uma retrospectiva que me trouxe a essa pequena viagem no tempo, e possibilitou o compartilhamento de um refresh das páginas deste livro que se mantém aberto e cheio de espaços vazios, opacos. Me parece que a graça da arte mora nesses “vazios” algo que garante o seu devir e seu encaixe às mais diversas temporalidades, circunstâncias, sonhos e realidades”, disse Carolina Botura sobre sua participação no projeto.

Segundo Binho Barreto, que assumirá o takeover na semana do dia 29 de junho  “achei o convite do #Galtakeover ótimo, muito oportuno para esse momento de isolamento social. Faz parte de um processo coletivo de reinvenção dos encontros, da arte e da sociabilidade nesse período de distanciamento, que tende a ser mais longo que o esperado. Existe também a demanda de já irmos pensando em alternativas para esse tal “novo normal”, que provavelmente será o modelo de retomada pós-Covid. Tenho acompanhado as produções dos demais artistas, e elas são diversas e de altíssimo nível. Sinto-me animado com o que tenho visto. Acredito que, mesmo estando em casa, precisamos criar movimento e construir pontes. É necessário fomentar a imaginação e a utopia nesse período tão difícil”.

Para Aruan Mattos “acho difícil entender esse processo como não sendo parte de um maior que é o nosso recente rearranjo por causa da pandemia. Há uma apreensão em nos relacionarmos desta forma virtual. Por outro lado, vejo de maneira positiva as nossas redes ativas, as trocas, a abertura à possibilidade de uma quebra de perspectiva. Uma parte da arte vem muito disso: na fragmentação dos olhares e reconfigurações de novas produções. Isso puxa um fio de esperança em algum lugar”.

Até outubro outros 18 artistas de Belo Horizonte, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Londres assumirão as postagens nas redes da GAL criando um novo engajamento com o público que conhecerá mais sobre seus trabalhos e trajetórias neste novo formato de consumo de artes visuais que se intensificou com o isolamento social.


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