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Empreendedorismo de ELITE: Conrado Adolpho

Negócios / 09/04/2019

Como você já deve saber, a nova coluna da Revista ELITE tem como proposta trazer entrevistas com grandes nomes do empreendedorismo. Buscamos sempre pessoas que se destacam de verdade nesse universo e que, de fato, têm o binômio empreendedorismo/sucesso como sobrenome.

E ninguém para representar isso melhor do que o Conrado Adolpho. Amplamente reconhecido no meio do marketing, ele dispensa qualquer apresentação. Então vamos à entrevista!

MINDSET

Vitor Horvath: Você fala bastante sobre a relação da mente do empreendedor com o resultado da empresa. Como você vê o preparo e a preocupação do empreendedor brasileiro em relação à construção de MINDSET? Acredita que a maioria ainda não tem clareza dessa importante relação? Como cultivar esse desenvolvimento no empreendedor?


Conrado Adolpho:
Não existe um preparo por parte do empreendedor brasileiro pela simples falta de conhecimento de que isso existe. A gente se confunde com a nossa mente, porque é a partir dela que a gente percebe o mundo. É a partir do processamento das informações pelos 5 sentidos que a gente entende o mundo em que vivemos.

Então achamos que somos a nossa própria mente. Isso porque percebemos o mundo e a nossa existência através dela. Só que se a gente acha que somos a nossa própria mente, não conseguimos ver que ela faz parte da gente e, assim como treinamos um músculo, podemos treiná-la também.

Se nós percebermos que não somos a nossa própria mente e que podemos treiná-la, passamos a vê-la como um objeto treinado.

Então o fato de o empreendedor não perceber que está dissociado da mente dele, que ele está acima da mente dele, e a mente não percebe o que está um degrau acima, ela só percebe o que está nos degraus abaixo, acaba fazendo com que ele não perceba que tem que treinar a sua mente.

Treinar a Própria Mente

E se ele não tem a consciência sequer de que tem que treinar a própria mente, obviamente, também não saberá como fazer isso. Alguns poucos empreendedores que estudam Mindset, que estudam como o comportamento funciona, conseguem entender isso e começam a procurar meios para treinar a sua mente. Então eles começam a procurar cursos e treinamentos. Só que isso é um passo além, ou seja, que não é dado pela maioria dos empreendedores.

E é muito simples a gente entender a influência da mente na nossa vida. O que molda a nossa vida são as decisões que tomamos. Se a gente resolve tomar cachaça todo dia, isso vai moldar a nossa vida. Se a gente resolve treinar todo dia, isso também vai moldar a nossa vida. Tem uma frase que eu gosto muito que diz: “homens criam hábitos; hábitos criam futuros”.

Os hábitos que a gente cria surgem a partir das decisões que a gente toma. Só que as decisões que a gente toma são relacionadas àquilo que a gente acredita que o mundo é. Eu não vou tomar uma decisão de abrir a minha casa para qualquer pessoa se eu acredito que o mundo é violento e as pessoas são desonestas. Mas se eu acredito que as pessoas são honestas, eu vou, por exemplo, tomar a decisão de expor as minhas ideias de negócios para outras pessoas para discutir essas ideias com elas e ter interlocutores para melhorar as minhas ideias. Mas essa é uma crença que eu tenho: o mundo é feito de pessoas honestas, a maioria delas.

Agir Segundo a Crença

Então eu vou agir segundo essa minha crença. Ou seja, aquilo que eu acredito está dentro da minha mente, e não fora dela. Então eu tomo as minhas decisões a partir daquilo que eu acredito. E as minhas decisões moldam a minha vida. E como as pessoas acreditam em coisas diferentes, tomam decisões diferentes e, consequentemente, moldam as suas vidas de maneiras diferentes.

Com isso, fica claro que a mente tem muita influência em relação aos negócios, por que as decisões para a própria vida têm determinada influência, mas em relação às decisões de negócios, têm uma influência muito maior. Uma decisão de negócio afeta o próprio empresário, a equipe dele, os clientes, os fornecedores, a família dos fornecedores, a família dos colaboradores… Ou seja, há um impacto muito maior.

Então se as pessoas de uma maneira geral já deveriam cuidar da mente, os empresários deveriam ter isso como uma prioridade absoluta, para tomar as melhores decisões nos seus negócios e impactar positivamente, ao invés de negativamente, todas as pessoas que estão ao redor do negócio.

A primeira coisa é mostrar para o empreendedor que isso existe. Se ele não acredita que isso existe, ele não vai ter clareza sobre como resolver as questões profundas que estão dentro das convicções e crenças dele.

ONFFLINE

Vitor Horvath: É comum em suas palestras, treinamentos e workshops o uso do termo ONFFLINE. Pode discorrer um pouco sobre o que ele significa e como o empresário brasileiro deve se preparar para atuar nesse universo?

Conrado Adolpho: O onffline significa: “hoje não existe mais online e offline”.

O WhatsApp, ele é online ou offline? Ele está no celular, que é offline, mas é uma mídia social que muita gente chama de online. Dessa forma, online e offline são como dois lados da mesma moeda. Um lado não existe sem o outro.

A abordagem onffline é para deixar claro para o empreendedor que ele precisa usar uma abordagem, ao mesmo tempo, online e offline, aproveitando o maior potencial de cada uma delas. O potencial do online é gerar escala e trazer pessoas para conhecer a sua marca de uma maneira muito barata. Por sua vez, o offline é principalmente para gerar credibilidade e para converter as pessoas em clientes, na sua loja, no seu escritório, no seu consultório e etc.

Onffline: Aumenta a Receita e Lucratividade

Quando você usa uma abordagem exclusivamente online, escala muito e converte pouco. E quando escolhe uma abordagem apenas offline, converte bem, mas escala pouco. Mas quando as duas abordagens são utilizadas de maneira associada, você escala em relação à quantidade de pessoas que passam a conhecer a sua marca e, ao mesmo tempo, escala em relação à quantidade de pessoas para as quais você efetivamente vende.

E é isso que aumenta a tua receita pela escala e a tua lucratividade pela conversão. O onffline aumentar a receita e a lucratividade. O online trabalha apenas no lucro. E o offline trabalha apenas na receita. Por isso, quando você une as duas coisas, tem uma empresa que, de fato, pode ter sucesso.

Em relação à preparação do empresário para atuar nesse universo, o ponto crucial é a imersão. Inclusive, eu ensino isso nos meus cursos, treinamentos e workshops.

O Par de Sucesso para o Empreendedor

Vitor Horvath: Mente Estratégica e Maestria Emocional: esse binômio representa um par de sucesso para o empreendedor. Quais são os primeiros passos para desenvolver o primeiro e fortalecer o segundo?

Conrado Adolpho: O primeiro passo para você desenvolver os dois é reconhecer que eles existem e que estão ligados e se influenciam mutuamente. A partir do momento em que há esse reconhecimento, você percebe que a sua cognição, o seu conhecimento, não é o suficiente, porque se o conhecimento fosse suficiente, para a quantidade de conhecimento que a gente tem no mundo, todas as pessoas estariam muito bem, felizes, com sucesso, com dinheiro e vivendo de uma maneira muito saudável. E, na verdade, isso não acontece.

Então hoje o ser humano chegou em uma encruzilhada. Tudo que o ensinaram, ele fez. Foi à escola, fez uma faculdade, arranjou um bom emprego, montou um negócio, economizou dinheiro e tudo mais. Ou seja, ele pode não fazer uma coisa ou outra, mas, de modo geral, faz tudo que lhe foi ensinado.

Porém, mesmo assim, as coisas não dão certo para muita gente. Então o ser humano para e pensa: O que deu errado? Eu fiz tudo que me falaram e me garantiram que iria dar certo. Mas não deu certo. E agora, o que eu faço?

Foco no Emocional

Não há uma resposta exata para essa pergunta. Mas a resposta quase sempre está em uma segunda área que aquela pessoa não considerava como existente, que ela simplesmente ignorava. E essa área é o emocional.

A primeira coisa é ter a consciência de que existem essas duas áreas. A segunda coisa é você começar a olhar para a tua área emocional. Mas como fazer isso? Principalmente tomando contato com as tuas emoções, observando as tuas emoções como uma testemunha ocular delas, e não como alguém que está dentro delas. Quando você fica com raiva, triste ou eufórico, trata-se de uma emoção que está passando por você, mas ela não é você. E como a gente se confunde com a nossa mente, achamos que somos aquela emoção. Muitas pessoas se dizem nervosas, tristes, alegres ou depressivas. Mas elas não são essas emoções, pois elas são apenas passageiras.

Observe as Suas Emoções

Por isso, se você observar as suas emoções como uma testemunha ocular, vai perceber, por exemplo, que está triste, e se perguntar por que isso está acontecendo. E quando você usa a sua razão para analisar as suas emoções, você se apodera dessas emoções. Mas quando você entra na sua emoção e vive com ela pensando que ela é você, acaba sendo sequestrado por ela e, a partir disso, não consegue exercer a sua capacidade estratégica de vida, que é pensar quais são as consequências dos seus atos.

Tem uma frase do Viktor Frankl, no livro “Em Busca de Sentido”, que diz: “Entre o estímulo e a resposta existe um espaço. Nesse espaço fica o nosso poder de escola.”

O estímulo é: Alguém me xingou no trânsito. A resposta é: Eu xinguei de volta. Muita gente acha que não existe um espaço entre uma coisa e outra, mas se você reconhece esse espaço, você age estrategicamente, porque você tem um estímulo, você tem uma emoção, pois você é um ser humano, e a emoção vai aparecer e acabar.

Só que quando você observa essa emoção como uma testemunha ocular, de uma forma analítica, e entende o porquê daquela emoção, você tira o poder dela de sequestrar você e fazer o que ela bem entender. É aí que você usa sua estratégia: Eu estou sentindo isso, mas qual seria a melhor ação para mim nesse momento.

Você escolhe a sua resposta ao invés de ter uma resposta imposta pela sua mente emocional. É assim que você age estrategicamente na vida, e não pura e simplesmente reativamente.

Conrado Adolpho em 5 Anos

Vitor Horvath: É visível o crescimento do Negócio Conrado Adolpho nos últimos anos. Você vem evoluindo ano a ano entregando transformações em formatos cada vez mais variados: serviços, cursos online, imersões, treinamentos, mentorias… Qual é o próximo passo? Para onde você quer levar a marca Conrado Adolpho em 5 anos?

Conrado Adolpho: Eu não diria que eu quero levar a marca Conrado Adolpho, mas sim as ideias que eu tenho a respeito da vida. Porque a marca Conrado Adolpho é muito pequena e restrita, ela está restrita a um ser humano. Mas as ideias não. As ideias ganham o mundo.

Quanto mais pessoas entenderem essa relação entre mente emocional e mente racional, mais pessoas vão conseguir ter uma vida melhor. E hoje eu impacto pessoas que não necessariamente tiveram contato comigo. Usando como exemplo uma empresária que teve contato comigo, ela muda a vida do esposo dela, que sequer me conhece. Da mesma forma, o esposo pode mudar a vida do filho deles, que também nunca ouviu falar a meu respeito. Então a ideia consegue ir muito mais longe.

Nos próximos 5 anos, o que eu mais desejo é que essas ideias se instalem com muito mais força a partir de um pequeno grupo de pessoas que, de fato, vão ter contato comigo. É esse grupo de pessoas que vai multiplicar as minhas ideias. E as outras pessoas nem vão ter contato comigo, porque não precisa, pois a ideia é mais forte do que a pessoa.

Começando do Zero

Vitor Horvath: Se você fosse começar do zero HOJE, quais seriam as 3 primeiras coisas que faria? E por quê?

Conrado Adolpho: Se eu começasse do zero hoje, os objetivos que eu teria seriam diferentes daqueles que eu tinha antes. Eu tinha um objetivo antes e, com os recursos que eu possuía naquele momento para aquele objetivo, eu comecei de um jeito. O meu objetivo hoje é causar impacto social. É muito maior do que impacto financeiro. O impacto social passa pelo impacto financeiro, mas não só.

Então, dentro do objetivo que eu tenho hoje de causar impacto social, o primeiro passo que eu daria seria pegar todo o meu conhecimento e transformar em conteúdo, como eu faço hoje. Só que naquela época, quando eu comecei, não fazia isso. Eu não entendia isso. Não tinha o YouTube. Mas existiam os livros. E eu poderia ter escrito um livro algum tempo antes do que, de fato, eu escrevi.

Os Mesmos Passos

Pensando bem, os primeiros passos que eu daria hoje seriam exatamente os mesmos passos que eu dei antes. Só que eu teria um objetivo diferente com esses passos. Antes, o meu objetivo era a sobrevivência. Mas eu acreditava no conhecimento como ferramenta para a gente estar avançando.

Desde sempre eu compartilhei conteúdo, mas talvez eu tenha feito isso em pequena escala. Em 2006, eu escrevi o livro e acabou sendo uma escala maior. Mas eu sempre acreditei no trabalho duro como ferramenta de crescimento. Sempre trabalhei muito e continuo trabalhando. Então eu faria a mesma coisa. E outra coisa que eu fiz e faria novamente seria trabalhar a minha mente. É uma coisa que no começo eu fiz em certa medida, não tanto quanto eu faço hoje.

Então o que eu fiz no começo foi uma pequena escala do que eu continuo fazendo. Eu não mudei os meus valores e eu não mudei as minhas crenças a respeito do que é o mundo. Isso me trouxe até aqui. Então não tem porque eu desejar ter feito algo diferente, pois se eu tivesse feito algo diferente, não teria chegado até aqui.

Mas eu faria tudo com um objetivo diferente. Naquela época, eu pensava em sobrevivência. Hoje, o objetivo é o impacto social. Então a única coisa que eu teria mudado seria o meu objetivo, mas não a maneira como eu cheguei até aqui.


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