Drinques & Neodrinques Gourmet A arte química e alquímica das bebidas Por Maria Carmen Dowe
Muita coisa mudou entre um gole e outro. Fermentados, destilados, compostos, com álcool ou sem, misturados ou puros, servidos em taças ou em copos de vários formatos e de materiais diversos, ornamentados com pedaços de frutas ou flores, gelados ou à temperatura ambiente, fonte de inspiração dos bartenders, dos cozinheiros e da boa gastronomia, as bebidas harmonizam o paladar, aumentam o prazer sensorial e é impossível dissociá-las do prazer de viver e da sua presença como complementos de uma boa refeição.
Presentes no cotidiano onde quer que se vá, elas estabeleceram uma série de novos hábitos e costumes sociais juntamente com o prazer de degustá-las, entre eles o hábito de brindar. Brinda-se com qualquer bebida para celebrar o prazer de viver, em festas, happy hours ou em encontros informais com os amigos como fazem as garotas do seriado Sex and the City ao degustarem nos bares de New York coquetéis como o Cosmopolitan. Mais formalmente, usa-se o brinde para selar momentos, datas e acontecimentos especiais, para desejar saúde à outras pessoas, sucesso profissional e financeiro e para comemorar todo tipo de conquista. Na dose certa, unem e harmonizam pessoas em torno de uma energia positiva.
Quem gosta de preparar seus drinques preferidos, certamente conhece a história do americano Jerry Thomas considerado por todos o primeiro bartender da história. Thomas que em 1862 trabalhava no balcão de um bar na cidade de San Francisco na Califórnia, deu o “start” na ciência dos drinques ao preparar fórmulas surpreendentes como a do Blue Blazer ou a do primeiro Martini. Com a sua criatividade, misturou, agitou e ornamentou magistralmente os ingredientes servindo-os acrescidos de grande charme e glamour sem precedentes em elegantes copos de coquetel. Percebeu que o ritual de beber, vai muito além do paladar e com isso conquistou Hollywood que usou a magia de vários dos seus drinques no cinema tornando-os mundialmente famosos.
Acompanhando o salto quântico do tempo, a arte da alta coquetelaria aderiu à tecnologia do século XXI dando origem a uma nova e surpreendente categoria batizada de Mixologia Molecular. Inspirada na criativa cozinha de vanguarda de Ferran Adrià e no conceito de desenvolver experiências sensoriais mudando os estados moleculares dos ingredientes, a nova onda foi parar atrás dos balcões dos bares, conquistou primeiramente a Europa, depois os Estados Unidos e chegou a alguns anos ao Brasil onde já é um sucesso e conta com a preferência de muitos paladares gourmet. Não há mais limites na arte da coquetelaria. Os bartenders são os novos alquimistas que usam sofisticadas técnicas de laboratório de física para fazer emulsificação, esferificação e gelificação de bebidas além de usarem aditivos químicos como o nitrogênio líquido para produzirem drinques de vanguarda que podem ser sólidos, fumegantes ou gelatinosos com sabores, perfumes e visuais fantásticos!. Depois de provar essas novas opções, o seu paladar e os seus drinques nunca mais serão os mesmos. |
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