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Como dizia o poeta Vinícius de Moraes, beleza é fundamental. Junte-se a isso bom gosto, talento, criatividade, determinação, uma pitada certa de ousadia para inovar e encantar todos os tipos de paladares, simples ou exigentes e universais. A soma desse conjunto tem um nome: chef Bel Coelho, uma das mais ascendentes e brilhantes estrelas da nova geração de profissionais da alta gastronomia brasileira. As mulheres e a cozinha, sempre foram naturalmente parceiras inseparáveis. E se o comando do universo da gastronomia há séculos tem sido reconhecidamente masculino, há uma justificativa para tanto. E ela nunca foi por falta de talento e bom gosto feminino e sim por fatores históricos. Na antiguidade, sobretudo na Grécia berço da civilização ocidental, os grandes festins eram precedidos de sacrifício de animais como as aves, carneiros, bois e outros animais cujas carnes eram cozidas ou assadas e servidas aos comensais. Esses sacrifícios eram feitos de forma rudimentar e exigiam uma força de guerreiro para a qual, os homens estavam mais adaptados. Nada disso faz sentido hoje em dia. Atualmente as mulheres tem o mesmo reconhecimento dos seus parceiros masculinos, criam tendências gastronômicas, assinam cardápios atualíssimos e aparecem igualmente com sucesso à frente de restaurantes sofisticados.
Bel, é uma figura feminina carismática: esbanja talento, é bonita, comunicativa e demonstrou desde cedo que tinha herdado o DNA dos avos portugueses que também se dedicaram à arte da gastronomia e foram proprietários de um restaurante. Na infância, amava frequentar restaurantes com os pais, assistir programas de culinária na TV, era fã do “Ofélia e a sua Cozinha Maravilhosa”, e ficava horas deitada no chão da cozinha da sua casa observando atentamente como a cozinheira da família preparava as refeições. Com apenas 30 anos, já se considera uma veterana de cozinha por estar há 13 trabalhando profissionalmente no mercado. Começou a carreira como estagiária de Laurent Suadeau e no Fasano até partir para Nova York, onde aperfeiçoou seus conhecimentos no Culinary Institute of America (CIA) e Payard. Em seguida, trabalhou com Alex Atala, no D.O.M. e tocou seu próprio Buffet. Tornou-se conhecida do público como chef em 2003, no restaurante Madelleine e no ano seguinte comandou a cozinha do Sabuji e recebeu o prêmio de Chef Revelação oferecido pelo júri de Veja São Paulo na edição guia Comer e Beber – O Melhor da Cidade, de 2005 a 2007. Menciona que para um chef é imprescindível ser universal, viajar para respirar e assimilar as culturas e tendências gastronômicas internacionais, especialmente às das escolas européias. Talvez por isso após se formar em gastronomia, viveu mais experiências no exterior do que no Brasil. Trabalhou com os melhores profissionais da Inglaterra e da Espanha como no exclusivo El Celler Can Roca, com duas estrelas no conceituado Guia Michelin e premiado como o quinto melhor restaurante do mundo pela revista inglesa The Restaurant, França e Portugal. Ao retornar, esteve à frente da cozinha do famoso Buddha Bar, até partir para o seu restaurante atual, o charmoso “Dui” situado na capital paulista.
Taurina, busca levar o equilíbrio da natureza e dos alimentos à mesa e por isso escolheu o nome do seu restaurante inspirando-se no exagrama 58 do oráculo chinês I-Ching. Para os chineses ele significa alegria, conversa prazerosa e boa convivência à mesa. O ideograma mostra traços acima da boca de alguém dançando. Tudo que passa pela boca significa abertura, comida e bebida, conversas prazerosas. A grande boca, símbolo do lago, também significa os intercâmbios: a comunicação pessoal, dar e receber com espontaneidade. Este é um contexto de relaxamento que a todos reúne, em alegria. A interação alegre entre companheiros que formam um grupo, se alimentam em conjunto e relaxam as tensões, favorecendo o intercâmbio entre todos. Nada mais adequado ao prazer de se degustar uma boa gastronomia estando bem acompanhado.
Considera a viagem que fez em 1995 à região amazônica, o conhecimento obtido sobre os ingredientes tropicais e o contato que teve com o experiente Chef Paulo Martins do restaurante “Lá em casa” no Pará, uma importante conquista de conhecimento sobre a culinária regional brasileira cujo potencial, aroma, sabor e elementos, acrescentaram novas nuances ao seu estilo de cozinha. Usando o conhecimento já adquirido e as influências que vem de fora, passou a usá-los com muita originalidade fazendo criações gastronômicas cujo paladar é brasileiro, incrivelmente gourmet e uma das principais tendências mundiais da alta cozinha desta década. As receitas que a chef criou para a sua “Cozinha Criativa Brasileira” tem visual atrativo, são aromáticas, os cardápios são menos densos, caem de maneira leve no corpo, muito ricos em hortaliças e frutas frescas orgânicas. Ideais para compor cardápios de verão e sofisticadas ceias comemorativas como para o de Natal e o Réveillon. Sonhos para o seu futuro pessoal e profissional, a jovem chef tem muitos. Profissionalmente, crê que talvez daqui a uma década ou mais, venha ter uma fazenda própria onde possa produzir de forma sustentável alimentos orgânicos, continuar contribuindo para a formação de novos profissionais de cozinha e escrever livros sobre gastronomia. Para os mais carentes já tem um projeto social muito especial: uma escola de culinária de formação rápida de profissionais com a duração dos cursos estimada em apenas seis meses, para habilitá-los a trabalharem em bares e restaurantes e incentivá-los a seguirem se aperfeiçoando e crescendo dentro da carreira da gastronomia. Colaboração:
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