Por Johnny Mazzilli |
||||||||
![]() Enseada na cidade costeira de Pusan, no sul do país |
![]() Buda no Templo Yakcheon-sa, ilha de Jeju |
Após exaustivas 30 horas entre voos e esperas em aeroportos, aterrissamos em Seul, a populosa e colorida capital sul coreana. Em pelo menos uma coisa Seul, com seus mais de 10 milhões de habitantes, se parece com São Paulo – o trânsito. Não é o caos individualista e mal educado que vemos aqui diariamente, mas é frenético e intenso. Ir a qualquer lugar de carro toma muito tempo. Melhor usar o eficiente sistema de metrô, com suas nove linhas que transportam diariamente quase dois milhões de pessoas.
À noite, tive o primeiro contato com a exuberante gastronomia sul coreana, com seus pratos fortemente apimentados, como o Kimchi, acelga cozida e coberta de pimenta vermelha. Muitos pescados e frutos do mar exóticos, cogumelos e verduras. Exausto pelas horas de viagem, dormi cedo na primeira noite, mas o fuso horário de 11 horas e o cansaço proporcionaram um sono errático, entrecortado por períodos insones e pontuado por sonhos recorrentes e absurdos, rotina que se manteria pelos próximos dias.
No dia seguinte, visitei a Yongin National Korean Folk Village, uma grande área com 230 casas e edificações remanescentes de séculos anteriores, transferidas para lá de outras regiões da Coréia, para proporcionar uma autêntica viagem ao passado do país. Artesãos habilidosos, como trançadores, ceramistas, pintores e cavaleiros, são muitas as manifestações artísticas e culturais nesse interessantíssimo museu a céu aberto.
Em seguida, visitei o Forte Suwon Hwaseong, na pequena cidade de Suwon, declarado pela Unesco Patrimônio Histórico da Humanidade. O Forte foi construído entre 1794 e 1796 pelo Rei Jeongjo da dinastia de Joseon, para abrigar os restos mortais de seu pai, o Príncipe Sado.
![]() Dependências do Forte Suwon Hwaseong, em Suwon |
Após a visita ao Forte e de volta a Seul, fiz uma rápida incursão à famosa Rua Insadong, badalado centro de compras para locais e turistas e ponto de encontro de descolados e moderninhos. Ao redor, me intrigaram diversas tendas brancas acesas ao cair da tarde. São os “fortune tellers”, ou seja, pessoas que lêem as mãos e predizem o futuro. Várias cabines estavam ocupadas com pessoas se consultando.
![]() Cerimônia cultural no Palácio Gyeongbok, Seul |
O povo coreano é muito amistoso e tem certa curiosidade sobre o Brasil. Nas ruas, as pessoas adoram fotos, o que facilitou bastante o trabalho e rendeu boas imagens. Quando perguntavam de onde eu era, para que eles entendessem, eu precisava falar “Brásil”, mudando a sílaba tônica e pronunciando-a fortemente. Sempre erguiam as sombrancelhas e demonstravam certa surpresa. Às vezes acreditamos, de forma um tanto patriótica, que o Brasil, por ser grande e tal, é amplamente conhecido mundo afora. É um equívoco – em muitos países somos olimpicamente desconhecidos. A Copa do Mundo de 2002, que aconteceu simultaneamente no Japão e na Coréia, contribuiu para que os coreanos saibam um pouco sobre nós, mas não muito.
O dia seguinte começou com uma visita ao amplo Palácio Gyeongbok, construído em 1394 durante a dinastia Yi. Seu nome significa “Palácio da Felicidade Brilhante”. Com várias dependências, foi destruído no começo do século passado pelos invasores japoneses, e até hoje segue sendo reconstruído.
Aliás, falando em japoneses, quer deixar um coreano indignado, pergunte a ele:
“-Aqui é parecido com o Japão, né?” Apesar da relação entre os povos ser tranquila e pacífica, há ressentimentos históricos.
Após o Palácio Gyeongbok, fui ao templo Gyogyesa e ao mercado Dongdaemoon, uma espécie de Rua 25 de Março de Seul.
Dia seguinte fui para o sul, para a cidade de Gyeongju, antiga capital do reino de Silla, que já foi a mais importante da Coréia. Visitei o Templo Bulkugsa e o histórico observatório Cheomseongdae - o mais antigo em toda a Ásia. Trata-se de uma pequena torre com pouco mais de 10 metros de altura, porém de inestimável valor histórico.
![]() Templo Yakcheon-sa, ilha de Jeju |
De Gyeongju segui ainda mais para o sul, para cidade portuária de Pusan e lá visitei um dos mais impressionantes mercados de pescados que já vi, onde milhares de barracas mantem vivos peixes e frutos do mar exóticos, abrigados em tanques e reservatórios plásticos, além de uma infinidade de seres marinhos secos e defumados. Do alto dos 180 metros da Torre de Pusan, tive uma vista privilegiada da cidade e arredores. De tarde, visitei o Beomeosa, um dos muitos templos budistas na Coréia, embora menos de 20% da população seja budista.
De Pusan tomei um voo para a Ilha de Jeju, onde apenas depois de dois dias avistei o primeiro ocidental. Jeju é uma ilha vulcânica pontuada por morros chamados de babies volcanos, antigos e pequenos vulcões extintos. O maior deles, o Monte Halla, tem pouco mais de 2.000 metros de altitude e está dormente (não extinto) há quase nove séculos.
![]() Jardins no Palácio Gyeongbok, em Seul |
Em Jeju visitei o Bonsai Garden, um amplo parque com bonsais de até 300 anos de idade. À volta, esparramamse vastas plantações de chá de folhas miúdas e verdinhas. A tarde, fui a um dos templos mais bonitos que já ví, o Yakcheon-sa. Ao chegar, um bando de crianças fazia certa algazarra, que os adultos se esforçavam para conter. Mas logo elas se foram, e pude sentir a incrível quietude e tranquilidade do lugar.
![]() Templo Beomeosa, em Pusan |
Nesse dia, um soldado norte coreano abriu fogo contra soldados sul coreanos, num posto fronteiriço, e estes revidaram sem maiores consequências. Quando soube desse fato, perguntei a um cidadão o que ele achava da Coréia do Norte: “-Bem, ano passado mandamos 350 milhões de dólares em dinheiro vivo. Enviamos navios de suprimentos, como comida, medicamentos, roupas e calçados ao povo faminto norte coreano. Na semana passada, enviamos cinco mil toneladas de arroz. E eles atiram na gente”.
Na mesma semana aconteceu o primeiro encontro entre parentes separados pela guerra da Coréia, em 1953. Foi um encontro emocionante de velhinhos com outros ainda mais velhinhos, separados por 57 anos de insensatez. O breve tiroteio de dias atrás não chegou a ofuscar o encontro, ocorrido sob forte vigilância norte coreana, como se aqueles velhinhos fossem fazer algo além de rever seus entes queridos.
De Jeju regressei a Seul, onde iniciei o longo e exaustivo retorno ao Brasil. De Seul foi pouco mais de 10 horas de voo até Doha, a capital do Qatar, no Oriente Médio. De Doha, mais 15 horas até São Paulo, onde desembarquei após 37 horas de jornada, um tanto estropiado, porém satisfeito com minha primeira incursão a uma das mais milenares culturas do mundo.
Quem Leva:
A Princess Travel é uma operadora que virou referência na América Latina em viagens ao Extremo Oriente e possui quatro pacotes especiais para a Coréia do Sul.
www.princesstravel.com.br
© 2010 - SIC Editora - Todos os direitos reservados - PERFIL DA REVISTA | EXPEDIENTE | CONTATO | ![]()